A GUERRA DOS TRONOS | Discussão T07 E06

Épico.

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“Beyond the Wall”

Este episódio foi contido em revelações mas teve momentos bem impactantes. É completamente impossível não nos arrepiarmos cada vez que os dragões chegam a uma batalha, no entanto o nível da escrita desta temporada está a beirar o ridículo e isso é infelizmente bastante notório. Enfim, falarei disto a fundo na crítica da temporada. Por agora vamos mergulhar no episódio.

Os Vingadores de Westeros estão na sua missão para encontrar e capturar um wight. Pelo caminho vamos tendo os inevitáveis confrontos. Mas confesso que mais uma vez foi tudo bastante decepcionante. Gendry não fala uma única vez com Jon sobre o tempo que passou com Arya e o confronto com Dondarrion e Thoros foi completamente inexistente. Portanto trazem a personagem do Gendry de volta para passear com um machado. Mais valia ter continuado a remar…

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Tinha de haver um momento entre Jon e Jorah. E até gostei. Jorah nunca iria aceitar a espada que pertenceu ao seu pai. Por um lado porque continua a carregar a culpa por ter desonrado a sua Casa mas por outro lado porque já fez as pazes com o passado. Aceitar a espada seria apagar todo o percurso que fez desde que saiu de Westeros, seria negligenciar a pessoa que se tornou. Jorah já não é o Mormont que saiu de Westeros. Jorah é uma nova pessoa, com um novo legado e identidade. E não precisa de uma espada para se sentir completo.

Gostei também dos momentos entre Jon e Dondarrion. Os dois partilham o facto de terem passado por uma experiência única. Porque foram escolhidos para voltar à vida? É uma pergunta pertinente à qual não há resposta, ainda. Estou plenamente convencido que Dondarrion tem um papel a cumprir até ao fim da história. Tanto Jon como Dondarrion podem ser o Azor Ahai, e não me importava nada que fosse o Dondarrion. Mas como a escrita disto está, de certeza que irão pela via do fan service. Mas Dondarrion disse algo que marcou: “Death is the enemy. The first enemy and the last. The enemy always wins, and we still need to fight him“. Não podia estar mais certo.

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Os momentos entre Tormund e Clegane foram ok. Mas sinto que as duas personagens foram filtradas até à exaustão. Parece-me que se tornaram apenas em personagens para encher cenário, infelizmente. Principalmente Clegane, que sempre foi uma personagem com bastantes camadas. No entanto anseio pelo reencontro entre Clegane e Arya, pois fazem uma dupla excelente e a sua relação é bastante complexa. Mas não será nesta temporada, pelo menos.

A cena com o urso foi porreira. É sempre engraçado vermos os figurantes a morrer nas cenas de luta porque não sabemos que eles lá estão até ser o momento de morrerem. E por falar em mortes, finalmente alguém relevante morreu. A morte de Thoros pode parecer bastante irrelevante, pois ele não é uma personagem de destaque, mas traz bastantes consequências. A mais directa é o facto de Dondarrion e Jon já não poderem voltar à vida. O que foi repetido até à exaustão durante o episódio. Ah, que saudades quando a série partia do princípio que os espectadores eram inteligentes.

Mas a morte de Thoros faz com que deixe de haver qualquer sacerdote vermelho de R’hllor em Westeros. E de todas as religiões, essa é uma das duas que sabemos que prega algo verdadeiro. A outra é a dos Deuses Antigos da Floresta. Sabemos que o Senhor da Luz ou Deus Vermelho é real, tendo em conta o facto de Dondarrion e Jon terem voltado à vida. Sendo que Thoros morreu e Melisandre partiu de Westeros, a religião ficou bastante enfraquecida. Isto leva-me a crer que Melisandre irá regressar na próxima temporada.

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Não gostei de saber que ao matar um White Walker os wights que ele criou deixam de existir. Isto revela já como o Exército dos Mortos será derrotado. Basta focar as atenções nos White Walkers, e tudo o resto cai por terra. E se seguirmos a mesma lógica, basta matar o Night King para tudo deixar de existir, White Walker e wights. Isto figura uma saída fácil a este problema. O Exército dos Mortos é uma força descomunal e os escritores foram pela via mais fácil, infelizmente.

Antes de chegarmos ao grande momento, vamos falar um pouco dos outros dois pólos deste episódio. Em Dragonstone, Tyrion tenta meter um pouco de juízo na cabeça da Daenerys. Entendo que ele tente fazer ver à Daenerys que ela tem de ter mais cabeça fria e não sucumbir tanto aos impulsos. Mas porque raio foi falar da sucessão? Eu sei que estamos na recta final e é improvável que tenhamos muitas reviravoltas, mas achei toda essa conversa bastante suspeita. Daenerys nem está perto de se sentar no Trono de Ferro e falar de sucessão não faz sentido. Qual é o objectivo de Tyrion? Será que o objectivo dele é destronar Cersei e depois voltar-se contra Daenerys? Hum… não sei. Não faria sentido ajudar a levar toda a força bélica da Daenerys para Westeros para depois se voltar contra ela. Mas não consigo parar de pensar que Tyrion não está a ser verdadeiro.

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Já em Westeros as coisas estão a aquecer. Adoro os momentos entre Arya e Sansa. O embate entre as duas está a ser tudo aquilo que sempre quis ver. E finalmente Arya abriu o jogo e disse-lhe que estava na praça quando Ned foi executado, e que viu Sansa ali em pé toda arranjada a ver o pai a ser executado e a não fazer nada. Sansa tinha de ouvir isso. Sansa tinha de ouvir que ela traiu a sua própria família e é por isso que o seu pai morreu e tudo o resto aconteceu. Sansa podia ter resistido, podia ter lutado. É normal que Sansa tenha feito tudo para se manter viva. Mas ao menos que admita isso. Agora vir com a conversa de que era muito nova, é estúpido. Arya desmascarou logo isso ao dizer que ela era mais nova que Sansa na altura e nunca trairia a família como Sansa fez. Ouch!!!

Já termos visto Sansa a encontrar as caras de Arya não gostei. Perdeu-se um pouco do mistério e maravilha tão característicos de A Guerra dos Tronos. Nem tudo tem de ser revelado. Nem tudo tem de ser explicito. Já para não falar de que as caras que Sansa encontrou não têm nada a ver com as caras que Arya tirou do rosto de Jaqen H’ghar quando ficou cega. Era algo que não precisava de ser mostrado. Sansa podia descobrir o que Arya faz de outra maneira.

E mais uma vez Sansa deixa-se ser influenciada pelo Mindinho mesmo depois de saber que ele nunca tem boas intenções. Mindinho fez uma boa jogada. Tirar Brienne da equação faz com que Sansa e Arya percam a sua protecção. E de certeza que a carta de Cersei foi fabricada a mando de Mindinho. A questão aqui é que Mindinho não tem bem noção das capacidades de Arya e mesmo sem Brienne, não será fácil para ele fazer um golpe de estado. É certo que Mindinho tem os dias contados mas gostava de ver mais dele. Mindinho é o grande mestre de marionetas que orienta as coisas nas sombras. Todos os grandes eventos da série foram orquestrados por ele ou tiverem o seu envolvimento e por isso gostava que ele tivesse mais destaque.

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Voltando ao que interessa. Temi mesmo que Tormund iria morrer. Toda a batalha no rochedo no meio do lago gelado foi bastante boa e já nem ligo à questão do espaço e tempo. Mas tenho de dizer que Gendry chegar à muralha, o corvo chegar a Dragonstone e Daenerys chegar à batalha em mais ou menos 12 horas é obra. Mas pronto Daenerys lá chegou e lá se deu a batalha épica com os dragões. E não percebi bem a estratégia da Daenerys. Portanto ela foi lá para resgatar os Vingadores de Westeros mas foi tudo mal feito. Ela tem três dragões. Aterrava com Drogon, mandava os outros dois dragões fazerem um circulo de fogo e pronto. Conseguiam subir para Drogon e saiam de lá.

Mas como ela planeou as coisas, claro que tinha de dar para o torto. Confesso que não fiquei extremamente chocado com a morte de um dos dragões e a sua subsequente transformação. Essa era uma das muitas teorias dos fãs e soou bastante a fan service. Mas não quero com isto dizer que não gostei. Gostei e penso que dará grandes momentos na próxima temporada. Dragão de gelo vs dragão de fogo. O sonho de qualquer nerd! Enfim, Jon lá cai no lago gelado e todos os outros partem.

O que aconteceu a seguir foi mais um momento fan service mas este foi completamente enfiado à bruta goela abaixo. Portanto fizeram com que Jon caísse no lago para dar emoção à coisa mas depois tinham de fazer com que ele escapasse sozinho ao Exército dos Mortos. E qual é a solução? Pôr o Benjen a aparecer do nada, a salvar Jon dando tempo suficiente para Jon saber que o tio está vivo, só para depois vê-lo morrer. Não seria mais porreiro terem posto o Benjen a lutar lado a lado com os Vingadores de Westeros? Seria à mesma uma volta por cortesia mas ao menos teria mais peso. O que fizeram é que não faz sentido nenhum. Basicamente Benjen não serviu para mais nada a não ser salvar Bran e Jon. Pobre Benjen, por ter sido uma personagem tão mal escrita.

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A seguir dá-se outro momento fan service e este foi do mais pegajoso possível. Jon está inconsciente no navio de Daenerys e acorda para vê-la sentada ao seu lado. O diálogo é porreiro, com Daenerys a acreditar finalmente em Jon. Tal como ela disse, é algo que tem de ser visto para se acreditar. Daenerys promete lutar ao lado de Jon para derrotar o Night King e só aí é que Jon “ajoelha-se” perante Daenerys. Era isso que Jon queria. Nada mais interessa em Westeros a não ser derrotar o Exército dos Mortos. O facto de terem dado as mãos soa a apressado mas é condizente com o percurso das duas personagens. Daenerys abriu-se perante Jon e era um momento que pedia por algo mais íntimo. Daenerys vê também a ferida de quando Jon foi apunhalado no coração, o que a fez perceber da honra e integridade de Jon.

Mas aquele Danny…… Aquele Danny foi um fan service bastante pegajoso. Era desnecessário e não ficou nada bem. Claro que à medida que a relação dos dois avança, estes termos carinhosos venham ao de cima, mas vir neste momento soou a forçado. Muito forçado. Enfim, os fãs querem, os fãs têm. Mas às vezes o que os fãs querem não é o que é bom para a série.

O que achaste da chegada do Blue-Eyes White Dragon?