SONIC MANIA | Crítica

Vais-te passar!!

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No mundo dos videojogos, Sonic foi sem dúvidas a mascote que mais marcou os anos 90. A sua presença revirou completamente a Era de 16-bit quando abalou o monopólio que a Nintendo tinha nos mercados que controlava e ajudou a pôr a Mega Drive no mapa.

Os videojogos desta série por volta de 1998 com Sonic Adventure tomaram uma direcção completamente diferente daquela que a série começou e tiveram uma recepção divisiva entre o público em geral. A Era que precedeu este período, na qual é normalmente referida como a “Série Clássica”, sempre foi alvo dos olhares nostálgicos dos jogadores mais velhos. E apesar de terem sido feitas várias tentativas para capitalizar este público com Sonic The Hedgehog 4 e Sonic Generations com variados graus de sucesso, a realidade é que a última entrada deste tipo de videojogo foi o Knuckles’ Chaotix em 1995 para a Mega 32x.

Pelo menos até agora… Christian Whitehead juntamente com PagodaWest Games e Headcanon trouxe até nós Sonic Mania. A premissa básica à volta de Mania é simples: “Como é que seria se a série 2D clássica tivesse continuado na Sega Saturn?” e todos os detalhes e componentes deste Sonic faz com que todo este pacote pareça mesmo algo feito em 32-bits.

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A história do videojogo passa-se numa altura não definida, algures após os eventos de Sonic 3 & Knuckles. Ambos Dr. Ivo “Eggman” Robotnik e Miles “Tails” Prower detectam uma assinatura de energia poderosa desconhecida em Angel Island. Sonic e Tails partem para a ilha para adquirir esta fonte de energia antes do génio louco, mas foi tarde demais. Dr. Eggman e um grupo de Eggrobo elite chamados “Hard Boiled Heavies” já tinham este artefacto e usaram-no para transportar os nossos heróis através do espaço tempo para Green Hill Zone. O resto do enredo, tal e qual S3&K, é apresentado através de pequenas sequências sem voz entre os níveis.

Em termos estruturais Mania segue também S3&K, contêndo 12 zonas com 2 actos e 2 bosses cada para as três personagens jogáveis. Sonic é a personagem normal com dois finais diferentes, conseguindo usar as habilidades dos power-ups elementais e estreando nesta entrada, o drop dash, que permite fazer o spindash enquanto estamos no ar para uma acção mais acelerada.

Tails é o modo fácil para principiantes. Ele utiliza o mesmo percurso de jogo que Sonic, consegue voar livremente até se cansar passando os segmentos de plataforma mais dolorosos. Mas em contra partida, não pode usar os mesmos power-ups normais do Sonic e só tem acesso ao final normal.

A última personagem, Knuckles é o modo difícil, com percursos exclusivos, um nível único e dois dos bosses completamente diferentes. Ele não consegue saltar tão alto, mas parte rocha com os punhos e consegue planar no ar dando um estilo de plataforma completamente diferente.

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Existe também a possibilidade de levar Sonic com Tails ao mesmo tempo, mas este modo é mais indicado para dois jogadores. Apesar de ter melhorias comparativamente às outras entradas passadas, como a possibilidade de voar apenas com um comando, é muito mais agradável usar a personagem sozinha se só existir um jogador.

A jogabilidade é extremamente fiel aos que encontramos na Mega Drive com as suas mecânicas estilo “pinball” extremamente divertidas que já falámos em grande detalhe aqui no Cubo Geek. Se estás preocupado que a física esteja estragada e com problemas tal como aconteceu com Sonic 4, não hã que temer. A equipa por detrás desta produção é bem conhecida pelo amor que têm pela franquia entre a comunidade fã e o resultado é bem visível. A condimentar esta mesma jogabilidade temos os inúmeros power-ups originados por toda a série. Escudos normais, invencibilidade mais velocidade e anéis extra de Sonic The Hedgehog, os três escudos elementais de Sonic The Hedgehog 3 e o combi-ring de Knuckles’ Chaotix que no Mania combina os teus anéis em grupos maiores quando os perdes para uma recuperação mais rápida.

O percurso da aventura consiste na sua totalidade em 8 Zonas cujos locais são originados de videojogos anteriores e 4 Zonas completamente novas. No geral, o primeiro acto das antigas é muito tradicionalista contendo elementos e secções dos originais para ambientar o jogador. O segundo é completamente novo em termos estruturais com gimmicks novos, aproveitando os avanços tecnológicos existentes para fazer coisas impossíveis em hardware de 1994.

O videojogo contêm várias sequências animadas do ilustrador Tyson Hesse.

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Nas novidades vemos grande parte de conteúdo original nunca visto em qualquer outro videojogo de Sonic. Mas o que mais me impressionou em ambos os tipos de local, foi realmente as batalhas contra os bosses. Grande número das lutas contra Eggman e os H.B.H. fizeram-me dizer com um sorriso na cara: “Eu não acredito que fizeram isto…”. Não vou estragar as surpresas, isto é algo que tem que ser visto com os teus próprios olhos.

Os níveis especiais, aqueles que servem para adquirir as Chaos Emeralds, têm elementos de todas as iterações passadas. Mas numa descrição mais sucinta destes aqui é uma mistura dos jogos de apanhar ovnis do Sonic CD e os percursos correspondentes do Sonic 3D. Em Mania, corremos atrás de um único ovni que tem a gema com ele, num percurso plano cheio de obstáculos. Estes são extremamente desafiantes ao inicio, mas depois de descobrir os truques para os passar são extramente divertidos. É pena não estarem incluídos num modo de contra-relógio tal como acontece no CD.

Em termos visuais, se gostas de pixel art, ui… Vais-te passar. Tanto os fundos como os níveis em si são extremamente detalhados, cheios de cor e inundados de pormenores que não são intrusivos. Estes estão cheios de referências a outros videojogos da Sega e tem uma certa piada explorar o mapa à procura destes mesmos. Em alguns sítios também é usado objectos em 3D rudimentar com poucos polígonos que vendem extremamente bem a ideia que isto é um videojogo estilo Playstation ou Saturn.

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As personagens, que usam uma palete com diferentes tons de cor estilo o que se encontrava na Mega 32x, são muito expressivas cheias de animações fluídas e muito variadas. Sem uma única palavra dá para perceber que Knuckles apesar de ser a personagem mais forte do trio tem uma tendência enorme para que as coisas lhe corram mal no progresso da aventura. Ou que Eggman adora a sua vida como cientista louco… Pelo menos quando Sonic não lhe arruína os planos, nesse caso ele faz uma birra desgraçada.

Mas não nos podemos esquecer da música do compositor português Tee Lopes. Os locais antigos usam remixes das versões anteriores. Noutros trabalhos quando tentam reinventar a roda há sempre uma ou outra faixa que ficou bem pior à original, mas tal coisa não aconteceu no trabalho dele. O estilo dele baseado no Sonic CD com um tempero à lá Michael Jackson com extra Jazz assenta o ouriço que nem uma luva. E o mesmo se pode dizer das faixas originais que fazem lembrar o Freedom Planet, outro videojogo com origens semelhantes.

Esta entrada vai ser mesmo uma que vou jogar inúmeras vezes com o passar dos anos, tal e qual faço com os meus videojogos da Mega Drive. E suspeito que daqui a uns anitos, quando eu conhecer todos os seus cantos e recantos, talvez eu destrone o Sonic 3 & Knuckles como o melhor videojogo de Sonic The Hedgehog de sempre. É mesmo algo que quando nós éramos pequenos durante os anos 90 achávamos como ia ser o próximo videojogo. É Sonic tal e qual como nós imaginámos.

Sonic Mania está disponível para Playstation 4, Switch, Xbox One e PC.

Quando é que vais jogar Mania?