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Quando estamos a seguir uma história de uma investigação de um homicídio, o que por vezes acontece é termos um detective a apreender o suspeito no centro de detenção e fazer a sua interrogação. O nosso herói encurrala-o com uma pergunta difícil e incriminatória e ele diz “eu quero o meu advogado”. E nós dizemos para nós mesmos, este aqui é definitivamente o culpado a tentar escapar e lá vem o tal advogado, sem consciência nenhuma, proteger o criminoso só para encher a carteira.

Ace Attorney é diferente. É um mundo em que o suspeito da morte de outrem é só inocente com prova em contrário. Em que o sistema de justiça está mais preocupado em encontrar um bode expiatório, para manter a ilusão de justiça para as massas, por ganho de poder ou simplesmente para proteger o verdadeiro criminoso. O nosso herói é Phoenix Wright – advogado de defesa, aquele que acredita sempre verdadeiramente na inocência dos seus clientes.

o suspeito é só inocente com prova em contrário

A jogabilidade desta série é sempre dividida em duas partes no decorrer de um caso. Temos a parte de investigação, apresentada com o formato de visual novel com elementos de point and click como interagir no mundo à sua volta e usar um inventário. O jogador investiga a morte da vitima procurando provas que escaparam as autoridades, ouve o lado da história do suspeito inocente que representa, fala com os detectives e possíveis testemunhas para desvendar a verdadeira natureza do crime.

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E temos a parte do julgamento, em que o procurador do estado apresenta as suas provas e chama testemunhas para suportar o caso contra o teu cliente. Estas contam a sua versão dos acontecimentos que costumam ter inconsistências com a verdade. Ou porque se esqueceram de detalhes, ou o testemunho foi embelezado pelo procurador, ou vêem vantagem em o acusado ser preso como culpado de um assassínio. Em formato de puzzle, o jogador descobre estas falsidades e apresenta a prova em contrario do seu inventário que adquiriu nas suas investigações ou apresentada pela oposição sobre outra interpretação e encontrar o verdadeiro culpado.

A história, apesar do tema pesado, é cheia de mistério e de intriga pessoal. Por exemplo, uma parte recorrente da série envolve uma disputa violenta de poder entre membros familiares. O mundo é colorido, com balões de banda desenhada a gritarem Objection! e cheio de humor que está presente até no nome das personagens. O primeiro cliente que defendemos na serie é chamado de Larry Butz, um trocadilho parvo que pode ajudar a dar uma pequena gargalhada.

Em cinco jogos, cada um com a média de cinco casos diferentes, Phoenix Wright e aliados conseguiram impedir que arruinassem a vida a várias personagens e encontraram a verdade por detrás muitos homicídios.

Em formato de puzzle, o jogador descobre estas falsidades e apresenta a prova em contrario.

Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice é a sexta e nova entrada desta grande aventura.

Phoenix recebe uma chamada de telefone preocupante de Maya Fey, sua antiga assistente e irmã mais nova da sua mentora, que sendo adepta do misticismo e do oculto foi treinar no estrangeiro, no reino de Khura’in, um pais extremamente ligado às tradições e religião cujo lideres dizem ter o poder para comunicar com o mortos. O protagonista parte de avião de uma versão anime de Los Angeles, onde o seu escritório é situado, para ver se está tudo bem com a sua amiga fora do país. Nesta nova paragem Phoenix decide mais tarde defender um rapazinho local que fazia de seu guia que foi acusado de matar um guarda. Mas longe do mundo moderno descobre-se que os tribunais aqui são completamente diferentes do que ele está habituado nos Estados Unidos.

Spirit of Justice, devido ao novo local, introduz uma nova mecânica de jogo durante os julgamentos. Devido aos poderes místicos presentes naquele local, o procurador, com ajuda da princesa do reino, consegue apresentar as memórias da vítima, momentos antes da sua morte, reflectidas num pequeno lago no centro do tribunal, como prova do caso. Isto, na perspectiva do jogador, implica ver um vídeo muito incriminatório em primeira perspectiva e ter que desmentir a interpretação dos acontecimentos da oposição, fazendo a ligação entre um elemento do vídeo e o parágrafo dessa mesma interpretação em que se contradizem. É um jogo de lógica interessante que não é comum de se ver por aí fora.

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Outras mecânicas dos outros Ace Attorney voltam nesta entrada. Por exemplo, em alguns casos jogamos com Apollo Justice e Athena Cykes, dois empregados de Phoenix que permaneceram em Los Angeles (que assim sendo, o jogo contêm também casos mais típicos desta série). Apollo tem um mini-jogo em que se descobre os tiques nervosos e micro-expressões de uma personagem para se perceber se esta está a mentir ou não. Athena consegue perceber as verdadeiras emoções de uma pessoa usando um aparelho estilo detector de mentiras avançado.

A escrita deste novo episódio envolve casos que são um pouco mais exagerados e convolutos que o normal e pode parecer, em certos momentos, que a escrita não seja mesmo muito natural. Afinal, desta vez, existem elementos do oculto e de religião em grandes quantidades, que para alguma pessoas pode ser difícil de engolir, mesmo na presença de elementos mais realistas como luminol e levantar impressões digitais.

Quem segue outros policiais sabe que é normal isso acontecer ao longo do tempo, mas  em Spirit of Justice o desfecho dos casos é feito de forma competente ao ponto destes não deixarem um mau gosto na boca.

No entanto onde o jogo realmente brilha é nos gráficos e na música, apesar de correr numa 3DS, as paisagem asiáticas de Kurah’in são fantásticas, cheias de vida. As animações das personagens, um do pontos altos de Ace Attorney, foi melhorada com novos segmentos que incluem mais interacção entre as mesmas. E a música, tanto a tradicional deste reino longínquo como dos segmentos nos Estados Unidos, é fantástica e feita com mais cuidado que na entrada anterior, Dual Destinies.

Para os fãs que estão interessados no desfecho de plotlines inacabadas das entradas anteriores, vão ter algumas questões respondidas mas trazendo novas perguntas, deixando a promessa que iremos ver uma resolução mais concreta no futuro.

Se gostas de mistérios e de policiais e não és esquisito com conceitos como espíritos e o além, é um jogo que deves experimentar. Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice, da Capcom, esta disponível em formato digital na loja online da Nintendo 3DS.

Bem-Bom

Estás pronto para gritar Objection!?

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Sou um mago vermelho da cromice, sou fanático de todos os média mas mestre em nenhum. No entanto os meus pontos estão alocados principalmente para os videojogos. Ao contrário do que é esperado da minha laia, eu adoro o ar livre, principalmente do campo. Adoro esticar as minhas pernas e apanhar muito sol... Será que algum dia vou conseguir a minha promoção para feiticeiro vermelho?